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segunda-feira, 14 de março de 2016

A retoma da Economia segundo o FMI


O Fundo Monetário Internacional é um organismo cheio de especialistas; mas quanto às previsões para a retoma da economia, as coisas parecem ser assustadoramente próximas de alguém que prefere acreditar em ilusões e esperar que um dia o "milagre" aconteça...

Desde 2011 que continuamente vão dizendo que "para o ano é que vai ser"!


... Um dia lá terão que acertar, e certamente alguém irá ser promovido ou receber um bónus de uns milhões extra por ter feito uma previsão acertada...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Globe of Economic Complexity visualiza a economia mundial


Tentar imaginar as relações económicas à escala mundial será coisa capaz de fazer virar a cabeça a muitas pessoas, mas agora há uma ferramenta que tenta visualizar toda essa informação de uma forma bastante curiosa, com este Globe of Economic Complexity.

Trata-se de uma mapa 3D que pode rapidamente transformar-se em diversos modos de visualização para melhor identifcar diferentes relações, e que também permite entrar mais em detalhe sobre as exportações de cada país, quantidades e países de destino.

Não será capaz de destrinçar toda a complexidade de relações que existem no mundo... mas é um excelente passo nesse sentido.

sábado, 6 de julho de 2013

Igualdade para Todos


Recebido via email sem referência ao autor original:

Um professor de economia de uma universidade americana disse que nunca tinha reprovado um único aluno, até que certa vez reprovou uma turma inteira. Essa turma tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo que distribuiria a riqueza garantindo que ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

O professor então disse, “Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Em vez de dinheiro usaremos os resultados dos testes como referência.” Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe e portanto seriam ‘justas’. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que em teoria ninguém será reprovado, mas também fará com que seja praticamente impossível que alguém receba uma nota  “A”.

Após calculada a média do primeiro teste todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando chegou a altura do segundo teste, os preguiçosos estudaram ainda menos – esperando tirar boa nota de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início, resolveram que eles também se aproveitariam do sistema. O resultado piorou, com a média das notas a descer para “D”. Ninguém gostou.

Depois do terceiro teste, a média baixou ainda mais para a pior classificação possível: “F”. As notas não voltaram a subir, mas as desavenças entre os alunos, acusações de culpas e insultos, passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina… Para sua total surpresa.

O professor explicou: “a experiência socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto isso.”

  1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
  2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
  3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
  4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividi-la;
  5. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.


Claro que, como sempre, devemos considerar algumas excepções a esta "lição" - como quando temos 1% da população a definir as regras pelas quais os restantes 99% se devem guiar, com benefícios desproporcionais para eles próprios.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A...d...e...u...s.... Gaspar


Vitor Gaspar fugiu demitiu-se do cargo de Ministro da Economia. Uma notícia inesperada que, sinceramente, não consigo entender... afinal, se estava a cumprir tão bem com tudo o que lhe era pedido pela troika (independentemente da "receita" não estar a funcionar, uma e outra vez).

Agora vamos ter uma ministra que antes de entrar em funções já está no meio da polémica dos swaps, dizendo que não sabia aquilo que ela própria tinha assinado (embora, aparentemente, no caso dela aquilo não tenha dado prejuízo - menos mal). E enquanto isso, a oposição sentido o cheiro de sangue nas águas, já vai dizendo que o Governo vem abaixo e que precisamos de eleições... (Por um lado, até gostava de os ver lá, fosse quem fosse, para ver a tal receita milagrosa que apregoam e que irá resolver todos os problemas da nação. Sendo que no caso do PS, que é o que mais vontade tem de regressar aos assentos que ocupava... apenas me interrogo como será possível terem-se esquecido dos motivos porque foram varridos de lá para fora. Será que a memória é assim tão curta?)

A única conclusão que se pode tirar é que estamos lixados. Estamos lixados com quem lá está, estaremos lixados com quem para lá for. Ficou mais que demonstrado que as receitas dos ditos especialistas do FMI, UE, e BCE afinal não funcionam tão bem na realidade como nos seus jogos virtuais (talvez tenham feito as simulações no SIMS 3 e pensado que funcionavam).

A única coisa que podemos esperar é que quem se segue ao menos fale mais depressa... pois já está provado que se for "depressa" dói menos, e o caro sr. Vitor Gaspar para além dos nos ir ao bolso... dava-nos uma valente seca de cada vez que queria dizer alguma coisa - e se o nosso dinheiro até talvez se possa ter a esperança de o recuperarmos... o tempo, esse, nunca mais volta.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

FMI e Bruxelas, os Erros e as Culpas


"Ainda falta muito?"

Será essa certamente a pergunta que muitas pessoas em países como a Grécia e Portugal farão neste momento. Aplicaram-nos receitas cuidadosamente preparadas por supostos especialistas, e que diziam que após 2 ou 3 anos de sofrimento, as coisas começariam a melhorar. No entanto, os anos vão passando... e em vez de melhorarem, vão piorando cada vez mais. Parece que afinal a receita não funciona - como outros "especialistas" terão advertido logo de início.

Se calhar o problema é haver especialistas a mais, e ao estilo do Masterchef, cada "mestre da culinária" ter receitas radicalmente diferentes que prometem curar todas as maleitas.

O mais triste, como alguns referem - e bem - é que estamos a assistir a coisas que tristemente já aconteceram no passado; e que depois de causarem muito sofrimento a milhões de pessoas, lá se arranjaram formas de recuperar. No caso da grande depressão na década de 30 também foram experimentadas e implementadas fortes medidas de austeridade... e que levaram a uma maior regulamentação dos bancos e das "manobras" que podiam fazer - regulamentação que curiosamente foi suspensa alguns anos antes desta nova depressão, permitindo aos bancos terem-se metido no buraco que se meteram (e deixando-nos a conta a todos para pagar).

Esperemos que desta vez, não seja preciso uma Guerra Mundial para resolver o problema - embora com o FMI e Bruxelas a começarem a atirar culpas de um lado para o outro, as coisas não me pareçam estar a seguir no sentido certo.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Roubar de uma Vez ou "Devagarinho"


Nem quero imaginar o que será acordar um dia e ver que das nossas contas bancárias tinha sido "retirado" (não vou utilizar a palavra roubo para não parecer muito mal) 6-10% do valor que lá tivéssemos guardado. É um cenário que parece irreal e impossível de acontecer num país dito ocidental e civilizado, integrado numa "união" europeia que devia promover o crescimento mútuo... mas foi precisamente o pesadelo com que todos os cipriotas se confrontaram.

Entretanto, já terão respirado de alívio, uma vez que este medida foi chumbada... mal sabendo eles que a factura que irão pagar a seguir será provavelmente muito superior. Se dúvidas houver, que olhem para Portugal.

Quanto gostaria eu de ter pago 6%, ou até mesmo 10%, das minhas poupanças - desde que, obviamente, a coisa se ficasse por aí! Seria o equivalente a um "choque rápido", que iria doer certamente, mas que pronto... estava feito. Da maneira que estamos, esses 6 ou 10% vão ser pagos a multiplicar, em nada suaves prestações que nos vão aos bolsos, não uma só vez, mas sim continuamente e sem fim previsto.

Por um lado, até acreditava mais na justiça de taxar todos por igual, do mais desprovido trabalhador (ou desempregado) com poucos euros no banco que mal dão para chegar ao final do mês, às contas com milhões de euros... e que por norma conseguem sempre escapar às "austeridades" que vão sendo impostas aos "outros".

No entanto, nunca acreditei que tal pudesse ir para a frente. Ainda mais sendo o Chipre um santuário anunciado para lavagem de dinheiro de interesses externos, que certamente não teriam quaisquer problemas em fazer uma "limpeza" a ministros, banqueiros, e outros que tais que se atrevessem a aliviá-los nalguns milhões de euros.


... Não se preocupem, as regras básicas da natureza continuam como sempre: a ganância de uns será paga à custa de milhões de outros. E o mais triste é que já nem o sistema tem saúde suficiente para encontrar aqueles que, sem qualquer sombra de dúvida, geriram de forma danosa (e criminosa), o nosso pequeno canteiro à beira-mar plantado que substituiu produção de bens reais pela ilusão dos serviços e especulação virtual (e pelo alcatrão pois claro! Pois se dissermos a qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, que no nosso pequeno rectangulo com algumas centenas de quilómetros nos damos ao luxo de construir auto-estradas paralelas a poucos km de distância, para ligar as duas principais cidades do país... certamente pensarão que estamos a gozar com eles.)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Imparidade para Todos


Se todos somos iguais? É óbvio que não. Se todos devemos ser tratados da mesma forma?... Também não (uma pessoa que trabalhe e outra que ande a roubar deverão ter diferentes "recompensas" por parte da sociedade). Mas, diabos me levem se na sociedade actual não estamos perante uma total subversão de valores e princípios, e onde uma ínfima percentagem da população tem demasiado poder e dinheiro.

Quem o diz não sou eu, mas sim o especialista em Economia Robert Reich, cujo filme Inequality for All se poderá vir a tornar o "Verdade Inconveniente" em versão económica (e que já conseguiu superar o valor pretendido no Kickstarter).




Lá pelo meio são atirados para o ar uns números interessantes, como metade de todos bens e valores dos EUA pertencer a apenas 400 pessoas(!), e a profunda disparidade que se vem a acentuar nas últimas décadas: em 1978 um trabalhador médio ganhava $48,000 por ano (ajustado à inflação , e alguém no 1% do topo ganhava cerca de $390,000; actualmente, um trabalhador médio ganha apenas $33,000 enquanto que o 1% de topo passou para $1,100,000.

Um documentário que mal posso esperar para ver.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quem deve quanto a Quem? [Europa]


Lembram-se do tempo em que dever dinheiro a alguém era um simples acto de: "toma lá, depois dá cá"? Hoje em dia, o mundo vive à custa de empréstimos, que depois quando correm mal dão origem às grandes confusões que assistimos. Este gráfico interactivo mostra quanto os países devem e a quem. E é possível ver coisas que... bem... os especialistas lá perceberão.

No caso de Portugal (primeira imagem ali em cima), é curioso ver que embora estejamos a dever vários milhares de milhões à Alemanha, Reino Unido e França... o país a quem mais devemos é... a Espanha.




Mas depois temos os casos verdadeiramente caricatos, como por exemplo no caso do Reino Unido, que tem uma dívida superior a 570 mil milhões(!) de euros aos EUA  assustador, não é?...
Nem por isso... é que espreitando do lado inverso:



Sim... temos os EUA a deverem ainda mais ao Reino Unido... mais de 830 mil milhões!

Olhando para todas estas ligações e religações, o que me parece é que anda muita gente preocupada em baralhar o mais possível o que se passa, de forma a que ninguém consiga saber o que se passa.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os Juros da Dívida na Alemanha


Se estão fartos de ouvir notícias sobre os elevados juros que países como a Grécia, e o nosso Portugal estão a pagar quando vão ao mercado para se financiar - juros esses que, no caso da Grécia andam acima dos 10 e 20%, e serão obviamente insustentáveis de suportar (a não ser com mais empréstimos) - talvez interesse comparar com os juros que a Alemanha tem que suportar.

Quanto acham que um país como a Alemanha pagará? 3%? 2%? Menos?...

Pois bem... na venda de dívida a 2 anos, a Alemanha vai pagar 0.07% de juros!

Sim, estão a ver bem, trata-se de um "investimento" que para quem lhes emprestou dinheiro, nem irá representar um lucro de 0.1%!

Claro que esta coisa das economias são sempre complicadas, e eu nem sou da área, para me poder pronunciar. Mas, qualquer pessoa comrpeenderá perfeitamente que este valor dependerá do grau de risco que estes empréstimos representam. O que critico é que se possam alimentar as especulações, e emprestar dinheiro a taxas exorbitantes e insutentáveis a países como a Grécia e Portugal.

Isto é... se há investidores que se dão por contentes a emprestar dinheiro à Alemanha por 0.07%... porque motivo não o fazem também aos países em maiores dificuldades? O risco e maior, é certo... Mas, não se tornará um contra-senso? Ou seja: "como tenho medo que tu não pagues, vou obrigar-te a pagar mais!" Quando em muitos casos, talvez um empréstimo a "0%" ajudasse bastante a colocar as coisas no bom caminho.
(E daí talvez não... mas... isso já seriam outros assuntos.)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pseudo-Trader Alessio Rastani e a Crise



É uma entrevista da BBC de três minutos que tem feito furor pela internet fora. Nela, um suposto "trader" e "especialista financeiro" admite que são os grandes interesses económicos que comandam o mundo, e que a crise dá muito a lucrar - numa exposição cândida e franca que confirma os "sentimentos" e receios que grande parte da população terá.

No entanto, Alessio Rastani - que disse "Quem governa o mundo é a Goldman Sachs" - e que deixou os entrevistadores "de boca aberta", parece não ser nada mais que uma pessoa em busca da fama e da atenção dos media.

Portanto, as suas declarações, mesmo que certas ou de enconto ao que se esperava ouvir ou ser admitido pelos "manipuladores económicos"... acabam por ser apenas palavras e opiniões tais como as que todos temos. (Claro que haverá quem ache que isto não passará de uma nova táctica de encobrimento, e que estão a tentar desacreditar o pobre "trader" que ousou falar em público... mas, cada um que tire as suas conclusões :)


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Buraco na Madeira e o Meio-TGV

Parece que não há semana que passe sem que sejam anunciado novos aumentos (de impostos, claro), ou agravamento nos preços de bens a que dificilmente poderemos escapar.

Mas... para além disso vai-se descobrindo um aparente poço sem fundo na dívida pública, desta vez com um governante que admite ter escondido as suas contas para que não fosse penalizado por isso e continuasse a receber dinheiro: o nosso bem conhecido e festivaleiro Alberto João Jardim do Gov. Regional da Madeira.

Bem, sabendo-se que em Portugal a responsabilidade é coisa "que não lhes assiste", e que mesmo em casos complicados as culpas ficam sempre por atribuir, é talvez bom ver alguém vir a público assumir o que fez - embora, mesmo assim, não me pareça que alguma responsabilidade ou punição daí decorra.

Afinal... são só mais uns milhõezitos em falta. E para quem já tem um buraco sem fundo... não é mais isto que faz diferença.


Por outro lado, o TGV que anda/não-nada/vai-andando/tem-que-parar/tem-que-andar recusa-se a morrer, e agora a solução encontrada parece ser... fazer um TGV de via única! Ou seja... fazer meia-obra, para daqui por umas décadas alguém se interrogar qual a lógica de tal investimento?

Mas, não se preocupem, que esta moda arrisca-se a alastrar a outros investimentos, e quem sabe - daqui por uns tempos temos um novo aeroporto de Lisboa que tem apenas partidas!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Brincar ao Monopólio

Enquanto os especialistas discutem as guerras do euro e do dólar, as agências de rating, e mais isto e aquilo - enquanto que para os normais trabalhadores, a única coisa real que sentem na pele é verem o fruto do seu trabalho ser reduzido cada vez mais; parece-me que a situação mundial pode facilmente ser descrita pelo clássico jogo "Monopólio".

Certamente já todos terão jogado ao Monopólio. Um jogo bastante divertido de jogar com amigos; mas que invariavelmente terminava sempre da mesma forma... numa "seca completa" a partir do momento que um dos jogadores passava a dominar todos os outros.

Parece-me que aquilo que assistimos no mundo é exactamente o mesmo sintoma: com a maioria do dinheiro a ficar acumulado nas mãos de uma pequena percentagem de pessoas, estamos perante o mesmo risco de paragem de todo o sistema.

Claro que, no caso do jogo, as consequências são apenas deixar de jogar e passar a atenção para outro lado - no mundo real as coisas são bem mais complicadas... e a "solução", essa... parece continuar escapar aos especialistas.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Fim dos Ratings?

É inevitável não se ficar agoniado com o que se passa com as empresas de ratings, empresas que opinam a seu belo prazer, defendendo-se de responsabilidades dizendo que fazem apenas isso: que emitem "opiniões". Mas que, no entanto, estão perfeitamente cientes de que essas mesmas opiniões podem, de um segundo para o outro, fazer com que o mercado suba ou desça, ou que um país passe a pagar valores sobreinflaccionados de juros.

O que é certo que é agora estas empresas se poderão arrepender de ter "opinado" Portugal para o lixo, já que cada vez maior número de vozes Europeias se levanta contra estas agências Norte-Americanas que têm dominado o mercado.

O conceito por trás das agências de rating é válido, no sentido de que deverão analisar o grau de risco ou solidez de empresas, bancos, estados. Mas, quando estas empresas passam a subverter o sistema - como tem acontecido repetidamente (veja-se que estas empresas davam como "seguríssimo" as empresas que foram ao charco e que abanaram todo o sistema económico mundial) é sinal evidente que algo tem que ser feito.

Fala-se em desmantelar as três gigantes que dominam o mercado actualmente: Moodys, Fitch, Standard&Poors; sendo substituídas por outras mais diversificadas, e por empresas de ratings europeias e asiáticas.
Mas, parece-me que isto de estar dependente de "opiniões" será sempre algo que penderá para quem oferecer maior confiança. Será que as agências de ratings não poderiam ser simplesmente dispensadas, optando-se antes por políticas de total transparência? Assim, todos poderiam ver com os seus próprios olhos, em vez de estarem dependentes da visão dada por estes "especialistas".

Vamos lá ver no que isto vai dar. Mas não deixaria de ser caricato que, uma "opinião" dada a um pequeno país Europeu chamado Portugal e que pensariam ter sido apenas mais uma sem consequências, tivesse afinal sido a gota de água que daria início ao seu fim...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Terrorismo Económico dos Ratings

Não é a primeira vez que venho para aqui desabafar sobre a pouca vergonha das agências de rating, que - ao contrário do que seria de esperar das suas funções - deturpa por completo o sistema económico.

Agora, a Moodys, uma das três agências de ratings mais cotadas, atirou a dívida Portuguesa para o patamar de "lixo". (E às quais pagamos cerca de 9 milhões por ano, ah pois)

Nem se trata de estar em causa se merecemos ou não a classificação de lixo... até acredito que sim. A questão é se merecemos estar no lixo *neste momento*, em comparação com Abril e Maio, onde não havia sequer dinheiro para sustentar o país nos meses seguintes e não havia ainda planos para eventualmente se sair do buraco.

Este corte surge também na véspera de Portugal ir ao mercado... algo que apenas serve para aumentar as  suspeitas de interesses (nada) escondidos.

Pergunto-me apenas porque motivo se continua a dar credibilidade a estas empresas de rating que davam por "seguríssimas" todas as empresas que foram ao charco e que deram origem à crise; pergunto-me porque motivo ass três empresas de ratings mais "ouvidas" são todas norte-americanas; pergunto-me porque motivo os próprios governos tremem  à mercê das suas "opiniões"?

... E depois temos um Banco Central Europeu cujo sinal de confiança em Portugal é dizer... "não comentamos". Inspirador.

Que o panorama não é bonito, isso já todos sabemos. Que muito há por fazer, também. (Ainda hoje ouvi na rádio a falarem sobre os milhares de milhões de dividas ao fisco por cobrar que anualmente presecrevem - valores bastante superiores aos que o governo irá arrecadar com os impostos "extra" como o do subsídio de Natal). Se há tanta dívida por cobrar, não seria mais simples executar isso - antes de ter que recorrer aos bolsos de quem trabalha?

Se há fraudes conhecidas de indivíduos que continuamente manipulam o sistema para criarem empresas atrás de empresas apenas para apanhar o IVA, não seria urgente arranjar forma de os fazer pagar por isso?


... Mas voltanto aos ratings: pergunto-me apenas se não seria salutar ter 2 ou 3 agências por continente, que dessem a sua opinião? Porque razão são apenas as 3 norte-americanas que "mandam", e se ignora - por exemplo - as agências de rating chinesas que dizem que os EUA já não são eles próprios merecedores do rating "AAA"?...

É que anda aqui tudo nestas guerrinhas entre Euro e Dólar... e quando derem por ela, estamos mas é todos e fazer as contas em Yuan chineses...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Austeridade vs Prosperidade

Eu não percebo nada de política e economia, a não ser aquilo que penso para com os meus botões, e que frequentemente partilho convosco aqui.

As eleições já lá vão, e agora é que vai começar a "doer", com a aplicação das medidas de austeridade impostas pela troika.

Uma coisa é certa - andaram a esbanjar dinheiro que não tinham; e agora vamos ter que pagar tudo isso... e com juros q.b.!
Nem vou entrar no capítulo de, porque raio em Portugal nunca há responsáveis por nada; as coisas fazem-se e sucedem-se; e quando correm mal... azarito, ninguém tem que dar a mão à palmatória; simplesmente passa de um "poiso" para "outro" - mas vai sempre governando-se com impunidade.

Mas agora, estamos num ponto em que não é preciso ser especialista para ver que as coisas têm tido um rumo que, em vez de nos levar para um bonito pôr do sol no horizonte, nos parecem levar cada vez mais para um poço sem fundo. Os nossos amigos Europeus ajudam-nos de forma bem estranha, emprestando-nos dinheiro com taxas de juro que é melhor nem falar; mas, mais estranho ainda é que as medidas que nos dizem ser a solução do problema parecem levar-nos na direcção oposta... estagnando a economia por completo, e parando o ciclo necessário para o seu saudável funcionamento.

Não havendo emprego nem dinheiro na bolsa dos portugueses, ninguém irá comprar nada; se ninguém comprar nada, as empresas fecham (causando maior desemprego e ainda mais gente sem dinheiro); e... é o colapso total do sistema.

Porque razão, em vez de tanto nos quererem impingir a política da austeridade não optam por nos impingir uma política da prosperidade?

Será assim tão mau incentivar as pessoas a criar e a quererem ganhar dinheiro de forma justa e honesta; em vez de ser mais compensador ficar em casa a receber dinheiro para não fazer nada?

Custaria assim tanto reformular o hiper-complexo sistema fiscal que temos, com dezenas de impostos para tudo e mais alguma coisa, e basearmo-nos simplesmente numa taxa de IRS e IVA sobre o consumo?

Aliás, o próprio conceito de diferente escalões do IRS parece-me um contra-senso tremendo: qual a lógica de taxar mais quem mais ganha, se o conceito de "percentagem" já se encarrega disso mesmo?

20% sobre 500€ representam 100€;
20% sobre 10000€ representam 2000€!

Quem mais ganha já paga mais!

Ter os diferentes escalões serve apenas para que quem mais ganha se sinta incentivado (ou até "legitimado") a procurar formas de escapar a essa taxação excessiva.

Pela mesma lógica; quem é que no seu perfeito juízo terá vontade de criar uma empresa em Portugal; quando imediatamente sabe que a maior fatia dos seus rendimentos irá parar aos cofres do Estado (e todos sabemos de que forma é que esse dinheiro tem sido aplicado esbanjado).

A solução para a "crise" é simples: despenalizar quem cria e quem trabalha; incentivar essa mesma criação e trabalho! Tornar o sistema fiscal mais justo para todos; premiar quem trabalha e não quem nada faz (claro, salvaguardando os devidos casos de quem precisa mesmo de apoio social - mas não para passarem os dias na esplanada ou no shopping, ou em casa a jogar Xbox nos seus LCDs de 50").

Há muita coisa que tem que mudar, é certo... tal como muito coisa mudou com a revolução industrial nos séculos passados: não se pode aceitar que existam "milhões" de funcionários públicos a fazer trabalhos de "papelada", que agora podem ser feitos por meia-dúzia de pessoas usando sistemas informáticos.
Essas pessoas terão que encontrar novos empregos; tal como milhares de pessoas o tiveram que fazer quando milhares de agricultores passaram a estar "obsoletos" sendo substituidos por máquinas.

As mudanças custam, e raramente são pacíficas... mas são inevitáveis e não vale a pena fechar os olhos ou enfiar a cabeça na areia.

Dêem condições para que se criem coisas novas; e o "povo" poderá supreender tudo e todos com aquilo que é capaz de imaginar e inventar. Em Portugal não faltam casos desses; e só é pena ver todo esse esforço inglório ser rapidamente engolido pelas políticas que premeiam a incompetência que grassam no nosso País, e que fazem com que em muitos casos, qualquer pessoa inteligente opte pela solução mais lógica: levar os seus trapinhos para outro lado onde seja melhor recebido.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dominique Strauss-Kahn - Culpado ou Inocente?

É mais um daqueles casos onde, qualquer que seja a conclusão a que cheguem os Tribunais Norte-Americanos, nunca ficará definitivamente encerrado.

De ambos os lados, as opiniões permanecerão tal e qual foram criadas no primeiro dia. Há "teorias da conspiração" para todos os gostos: quer contra, quer a favor.

Por um lado fala-se do seu histórico já algo problemático, que é um homem com poder e habituado a ter/fazer tudo o que lhe apetece; por outro lado fala-se de que estaria a tornar-se demasiado incómodo para os verdadeiros grandes Poderes Mundiais, e que - como tal - tinha que ser "encostado".

O que pensar?... É irrelevante... De uma forma ou de outra, o que é certo é que os interesses permanecem, de um lado e de outro - e o mais assustador será pensar se, em vez de uma batalha entre o "Bem" e o "Mal", não estamos apenas a assistir a um constante reboliço entre dois "Males", e onde quem se lixa é sempre o mesmo...

Não acredito em demónios, e penso que todas estas pessoas são apenas humanas. Não há pessoas perfeitas; e interrogo-me sobre, se todas as pessas com boas intenções, quando colocadas neste tipo de ambientes onde "milhões" se jogam de um lado para o outro, e onde um "jeitinho" aqui poderá resultar num "jeitinho" que nos façam ali quando for preciso... se não optariam por fazer as mesmas coisas da mesma forma.

A solução - parece-me - é apenas uma: transparência total e absoluta.

Este tipo de coisas só sobrevive nas sombras e em locais obscuros. Se todos fossem obrigados a prestar contas de forma clara, e disponibilizar todos os "números" para que qualquer pessoa os pudesse ver - um pouco ao estilo "open-source" - as coisas poderiam/deveriam ser diferentes.

Mas, antes de nos metermos em tais aventuras, que tal se começassemos a exigir isto mesmo, mas cá pelo nosso País? Como se pode admitir que tenhamos "gestores" a acumular funções em dezenas de empresas, recebendo centenas de milhares de euros por mês? Como se pode admitir que só agora isso fosse tornado público?

Em vez de termos um Governo que nos governe, temos um Governo que faz todos os esforços para "se aviar" e esconder o que se passa? Isso é que não pode ser, seja lá qual for o "nome" ou "cor" do partido que lá pousar. Partido já está Portugal; e a mudança nasce em cada um de nós. Indignem-se, façam barulho, não se calem quando vêem uma injustiça ou algo mal feito.

Porque mais tarde ou mais cedo, se é que ainda não aconteceu, esta barulheira vai chegar-vos à porta (e à carteira)... e depois não adianta ficarem surpreendidos com o que se está a passar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os Ratos dos Ratings

Expliquem-me lá como é que um planeta inteiro pode continuar a aceitar que esta cambada de ignóbeis das empresas de ratings, umas das principais causadores do enorme buraco especulativo da crise em que nos encontramos - com culpa mais que desmonstrada, mas aparentemente livre de acção criminal por simplesmente dizerem que os seus ratings expressam meramente a sua "opinião", e que não deverão servir para "nada"... Que dias antes do afundamento das empresas gigantes que fizeram tombar a economia mundial, as consideravam como investimentos seguríssimos, de classe AAA; continue a determinar quem é que é de risco e quem é que não o é?

Não digo que Portugal não mereça uma classificação altamente duvidosa... Mas ao menos que seja dada por alguém que, de direito, continue a ter a sua reputação inalterada. Que seja o FMI a determinar isso, por exemplo... Agora estes ratos do esgoto é que não!

domingo, 13 de março de 2011

Remunerações Públicas em Portugal

Recebi isto via email, pelo que não posso garantir que todos estes dados sejam efectivamente reais - mas se o forem, isto dá mais "volta à barriga" que o A Serbian Film exibido no Fantasporto.

Comecemos pelos ordenados do conselho de administração executivo da nossa querida TAP:



  • Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 ( 291 290,417 Euros )
  • O Presidente da TAP recebeu em 2009 : 624.422,21 Euros
  • O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151 471,017 Euros )
  • Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros 

Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português





Passemos à Caixa Geral de Depósitos (CGD).



  • A Chanceler Angela Merkel recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
  • O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros
  • O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros

O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.

E a festa continua por páginas e mais páginas... passando pelas Águas de Portugal, Parpública SGPS, CTT, RTP, ANA, Estradas de Portugal, Casa da Moeda, Metro do Porto, ParqueExpo, e muitas outras Públicas ou "semi-públicas".

Muitas dezenas de ordenados, todos eles de valor mensal equivalentes a muitas dezenas de anos de trabalho de um Português médio.
Fará verdadeiramente sentido que existam tais disparidades? Fará sentido que qualquer um destes gestores públicos ganhe imensamente mais que o próprio Presidente da República ou Primeiro-Ministro?

Deixo a pergunta no ar... E pergunto-me porque, com tantos cortes - não se vão buscar uns milhõezitos extra a estes ordenados, que mesmo que fossem reduzidos em 90%, continuariam a ser ordenados "de luxo" em qualquer parte do mundo!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Porque é que Wall Street Não está na Cadeia?

É esta pergunta que muita gente faz: porque é que nos dizem estarmos a atravessar um crise mundial provocada pela especulação, mas ninguém prende os principais responsáveis?

Tirando Madoff, que teve o azar de ter à pernas muitos "notáveis" que exigiram ver resultados; há muitas mais dezenas ou centenas de "cabecilhas" que durante anos foram responsáveis pela evaporação de milhares de milhões de dólares... e que agora continuam a fazer a sua vida sem preocupações de "cadeias".

São casos conhecidos de fraudes, mentiras e roubos... e ninguém vai parar à cadeia.

E nos EUA assistimos a casos ainda mais ridículos, como canais de TV a censurar e manipular imagens e notícias em seu benefício! Ou seja... nem a justiça faz o que deve, e nem na comunicação social nos podemos fiar...

O que é certo, é que por todos os lados nos continuam a tirar o pouco que ainda nos vai restando na carteira...

Actualização: o melhor mesmo é espreitarem este documentário Inside Job, para verem o dramático e assustador que tudo isto é.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Distribuição da Riqueza

Não sei se por cá as coisas serão muito diferentes, mas nos EUA vemos indícios de que algo vai muito mal na sociedade capitalista. (E atenção que não sou defensor de que todos sejamos iguais, e de que quem não trabalha deve ganhar o mesmo que quem se esforça.)

Mas quando vemos cenários onde a maioria da riqueza está concentrada num segmento reduzido da população... Não será uma subversão do sistema capitalista?
Ao fim e ao cabo, levado ao extremo, não quererá isto dizer que por este andar, qualquer dia 1% da população tenha 99% da riqueza? E será isso uma situação sustentável - ou sequer desejável?


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