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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Os Ratings Políticos e a Economia Paralela

Olha olha... parece que alguém parece ter aberto os olhos... Pedro Passos Coelho acha que as agências de rating estão a interferir na política, e que é algo perigoso - e ele lá deve saber do que fala, sendo político profissional.

Será preciso ter um curso em política internacional ou geo-economia aplicada para se perceber que não é novidade nenhuma os "arranjinhos" e os "interesses" que manipulam os mercados? E que ninguém se preocupa com o perigo de nada... até que subitamente se veja do "lado de fora" desses mesmo arranjinhos.

Mas, tanto arranjinho e tanta marosca começa finalmente a fazer-se sentir... e surpreendentemente o dito "mercado" parece começar a ter menos em conta os ratings destas agências de rating - as mesmas que avaliavam como AAA aquela barracada americana que originou (ou pelo menos despoletou) a crise actual. Como tal, mesmo com rating de "lixo", o mercado parece estar a ter mais confiança em países como Espanha e França - e esperemos, também em Portugal.


Por cá, parecem ter ficado todos chocados com os resultados de um estudo que revela que a "economia paralela" no nosso país está em crescimento e representa quase um quarto do PIB. Milhares de milhões de euros que fogem ao fisco. E... custava assim tanto que simplesmente se tornasse obrigatório passar recibo ou factura em todas as transacções comerciais - sem excepção?

Irrita-me profundamente que ainda existam sítios onde nos perguntem "deseja factura"? Não é perguntar, é trazer logo e pronto! Mas, enquanto permitirem que isso seja "à vontade do freguês", e que na maioria dos casos, na boa tradição "tuga", nem está para se chatear e deixa passar... (Para não falar nos casos em que, para se conseguir essa factura obrigam o cliente a superar provas de paciência... como nalgumas grandes superfícies dizerem que para pedir factura tem que ser no balcão central...)

Era tão simples: pagou, tem que receber um comprovativo do pagamento com valor fiscal, e mais nada!

Depois resta a coragem de nas finanças darem uso a todos os dados que possuem... mas isso seria assunto que dava ainda mais pano para mangas...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Fim dos Ratings?

É inevitável não se ficar agoniado com o que se passa com as empresas de ratings, empresas que opinam a seu belo prazer, defendendo-se de responsabilidades dizendo que fazem apenas isso: que emitem "opiniões". Mas que, no entanto, estão perfeitamente cientes de que essas mesmas opiniões podem, de um segundo para o outro, fazer com que o mercado suba ou desça, ou que um país passe a pagar valores sobreinflaccionados de juros.

O que é certo que é agora estas empresas se poderão arrepender de ter "opinado" Portugal para o lixo, já que cada vez maior número de vozes Europeias se levanta contra estas agências Norte-Americanas que têm dominado o mercado.

O conceito por trás das agências de rating é válido, no sentido de que deverão analisar o grau de risco ou solidez de empresas, bancos, estados. Mas, quando estas empresas passam a subverter o sistema - como tem acontecido repetidamente (veja-se que estas empresas davam como "seguríssimo" as empresas que foram ao charco e que abanaram todo o sistema económico mundial) é sinal evidente que algo tem que ser feito.

Fala-se em desmantelar as três gigantes que dominam o mercado actualmente: Moodys, Fitch, Standard&Poors; sendo substituídas por outras mais diversificadas, e por empresas de ratings europeias e asiáticas.
Mas, parece-me que isto de estar dependente de "opiniões" será sempre algo que penderá para quem oferecer maior confiança. Será que as agências de ratings não poderiam ser simplesmente dispensadas, optando-se antes por políticas de total transparência? Assim, todos poderiam ver com os seus próprios olhos, em vez de estarem dependentes da visão dada por estes "especialistas".

Vamos lá ver no que isto vai dar. Mas não deixaria de ser caricato que, uma "opinião" dada a um pequeno país Europeu chamado Portugal e que pensariam ter sido apenas mais uma sem consequências, tivesse afinal sido a gota de água que daria início ao seu fim...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Terrorismo Económico dos Ratings

Não é a primeira vez que venho para aqui desabafar sobre a pouca vergonha das agências de rating, que - ao contrário do que seria de esperar das suas funções - deturpa por completo o sistema económico.

Agora, a Moodys, uma das três agências de ratings mais cotadas, atirou a dívida Portuguesa para o patamar de "lixo". (E às quais pagamos cerca de 9 milhões por ano, ah pois)

Nem se trata de estar em causa se merecemos ou não a classificação de lixo... até acredito que sim. A questão é se merecemos estar no lixo *neste momento*, em comparação com Abril e Maio, onde não havia sequer dinheiro para sustentar o país nos meses seguintes e não havia ainda planos para eventualmente se sair do buraco.

Este corte surge também na véspera de Portugal ir ao mercado... algo que apenas serve para aumentar as  suspeitas de interesses (nada) escondidos.

Pergunto-me apenas porque motivo se continua a dar credibilidade a estas empresas de rating que davam por "seguríssimas" todas as empresas que foram ao charco e que deram origem à crise; pergunto-me porque motivo ass três empresas de ratings mais "ouvidas" são todas norte-americanas; pergunto-me porque motivo os próprios governos tremem  à mercê das suas "opiniões"?

... E depois temos um Banco Central Europeu cujo sinal de confiança em Portugal é dizer... "não comentamos". Inspirador.

Que o panorama não é bonito, isso já todos sabemos. Que muito há por fazer, também. (Ainda hoje ouvi na rádio a falarem sobre os milhares de milhões de dividas ao fisco por cobrar que anualmente presecrevem - valores bastante superiores aos que o governo irá arrecadar com os impostos "extra" como o do subsídio de Natal). Se há tanta dívida por cobrar, não seria mais simples executar isso - antes de ter que recorrer aos bolsos de quem trabalha?

Se há fraudes conhecidas de indivíduos que continuamente manipulam o sistema para criarem empresas atrás de empresas apenas para apanhar o IVA, não seria urgente arranjar forma de os fazer pagar por isso?


... Mas voltanto aos ratings: pergunto-me apenas se não seria salutar ter 2 ou 3 agências por continente, que dessem a sua opinião? Porque razão são apenas as 3 norte-americanas que "mandam", e se ignora - por exemplo - as agências de rating chinesas que dizem que os EUA já não são eles próprios merecedores do rating "AAA"?...

É que anda aqui tudo nestas guerrinhas entre Euro e Dólar... e quando derem por ela, estamos mas é todos e fazer as contas em Yuan chineses...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os Ratos dos Ratings

Expliquem-me lá como é que um planeta inteiro pode continuar a aceitar que esta cambada de ignóbeis das empresas de ratings, umas das principais causadores do enorme buraco especulativo da crise em que nos encontramos - com culpa mais que desmonstrada, mas aparentemente livre de acção criminal por simplesmente dizerem que os seus ratings expressam meramente a sua "opinião", e que não deverão servir para "nada"... Que dias antes do afundamento das empresas gigantes que fizeram tombar a economia mundial, as consideravam como investimentos seguríssimos, de classe AAA; continue a determinar quem é que é de risco e quem é que não o é?

Não digo que Portugal não mereça uma classificação altamente duvidosa... Mas ao menos que seja dada por alguém que, de direito, continue a ter a sua reputação inalterada. Que seja o FMI a determinar isso, por exemplo... Agora estes ratos do esgoto é que não!
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