quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Mentira da Verdade - o Polígrafo

E novamente ontem fomos presenteados pela segunda emissão do "Momento da Verdade" na SIC.

Se a emissão da semana pessada foi uma verdadeira bomba (ver o meu post anterior) já este não se ficou atrás, por outros motivos.

Se a maior parte do programa se passou num ambiente descontraído e divertido, tudo mudou quando se chegou a uma pergunta chave:
"Alguma vez bateu na sua mulher?"

Pergunta que causou o uso da "campainha" para que não fosse respondida... mas com reacções que evidenciavam a gravidade da questão.

Houve também quem tivesse ficado chocado com a resposta negativa à pergunta "Sente orgulho do seu filho?" e posteriormente à pergunta que terminou o programa por ter sido (alegadamente) respondida com uma mentira: "Guarda rancor ao seu filho por este lhe ter destruído um automóvel?"
Ao qual o pai disse não guardar rancor (para surpresa do filho) mas que foi detectada como mentira pelo polígrafo.

E foi exactamente isso que me levou a escrever este post de hoje: qual a fiabilidade de um polígrafo?

Embora muitas vezes seja anunciada uma fiabilidade dos resultados na ordem dos 90-95%, a verdade é que não há provas científicas que confirmem esses resultados.
Um polígrafo mede vários parâmetros como o ritmo cardíaco, o ritmo respiratório, etc. que são depois interpretados por um especialista.
Ora aqui está a grande falha... o polígrafo é incapaz de detectar uma verdade ou uma mentira - quem o faz é o seu operador, e portanto reflecte apenas a opinião de uma pessoa.

Para além disso, essa análise está dependente das perguntas de controlo, que visam estabelecer a base de comparação para as demais perguntas - um interrogatório mal planeado destrói por completo qualquer hipótese de obter dados minimamente relevantes.

Assim sendo, toda a base deste programa que visa ser apologista da "Verdade" é uma grande treta (para quem ainda não o soubesse) - especialmente quando faz perguntas que causam grandes conflitos internos e grandes níveis de stress e ansiedade; como neste caso, de um pai dividido entre o fascínio que tinha pelo seu automóvel e pelo desejo de perdoar o filho. Se respondeu verdade ou mentira... isso acho que nem ele sabe, quanto mais uma máquina.

Bem sei que o que vende é o "show" dado, e para atingir esse objectivo não se olham a meios.
Mas antes de acreditarem cegamente nos resultados de um polígrafo e crucificarem qualquer um dos concorrentes, por favor lembrem-se que estes resultados são apenas ligieramente melhores do que decidir atirando uma moeda ao ar.
(Por algum motivo os testes de polígrafo não são considerados válidos na maior parte dos países Europeus, e nem mesmo na maioria dos EUA .)

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