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sexta-feira, 7 de julho de 2017
Estacionar em lugar para deficientes passa a "grave"
A partir de amanhã, é recomendado que todos os anormais não-deficientes que habitualmente tratam os lugares de estacionamento reservado para deficientes como seus lugares privativos, o passem a fazer com ainda maior frequência.
É que fazê-lo passa a dar direito a uma contraordenação grave, que para além das multas e sanções dá igualmente direito a subtrair dois pontos à carta de condução. Desta forma, espera-se que estes senhores e senhoras rapidamente percam a habilitação a conduzir, e assim fica o assunto arrumado.
... Claro que para isto funcionar será conveniente que a fiscalização actue da forma adequada, e esperemos que não seja apenas "a pedido", quando alguém que efectivamente precisa de utilizar estes lugares descobre que afinal está ocupado por alguém que decidiu que caminhar mais 20 ou 30 metros para deixar o carro num lugar um pouco mais distante, era demasiado trabalhoso.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Portugal Cura Deficientes
Por muito que eu pense que já nada me surpreende, regularmente sou confrontado com situações que me deixam pasmado e de boca aberta.Estava eu a pôr a conversa em dia com um amigo meu, quando ele me começa a contar a aventura em que se meteu.
O irmão dele perdeu o braço num acidente de trabalho há alguns anos, e como tal tinha direito a umas isenções nos impostos quando comprou um automóvel adaptado à sua deficiência.
Ora, até aqui nada de novo: é o que se chama de discriminação positiva, e acho que ninguém tem nada contra.
Infelizmente, parece que os azares não o largam e há uns meses atrás teve um acidente grave enquanto conduzia (em que o carro foi para a sucata) - pelo que se viu obrigado a procurar um novo automóvel.
Lá se decidiu por um utilitáriozito, encomendou (aquilo demora mais uns tempos para ser feitas as adaptações necessárias à condução com um só braço) e eis que agora...
Como o tempo é de crise, a tabela de graus de deficiência parece ter sido reformulada recentemente.
Ou seja, resumindo, o rapaz que era considerado "deficiente" é agora considerado "não-deficiente" - não tendo direito a qualquer "desconto" na compra do veículo, e nem sequer ao dístico que se coloca no automóvel para poder ter acesso aos locais de estacionamento apropriados.
Ora, uma vez que o braço dele não se regenerou espontâneamente (algo que ele, sem dúvida, muito agradeceria) gostaria de perceber como uma pessoa sem um braço, que até agora sempre foi considerada incapacitada passa agora a ser considerado um cidadão sem direito àquelas míseras ajudas que tinha anteriormente?
E depois é ver aqueles casos de gente que recebe subsídios de rendimento mínimo e sei lá que mais, tendo dois bracinhos e duas perninhas bem capazes de trabalhar; já para não falar naqueles "deficientes" que continuamente vejo a estacionarem as suas grandes máquinas em locais reservados para que deles necessita, para irem tomar o cafézinho e evitarem caminhar mais 30 ou 40 metros.
Portanto, para além dos milagres de Fátima, antevejo que Portugal se torne agora o destino principal de todos os que tenham perdido braços, já que por cá isso não faz diferença nenhuma e são considerados cidadãos por inteiro (leia-se: sem qualquer benefício.)
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