segunda-feira, 26 de maio de 2014

A Abstenção Europeia


Lá tivemos mais umas eleições, e novamente uma dose considerável de abstenção, que em Portugal se terá ficado pelos 65.5% (ou seja, uma clara maioria). Maioria essa que no entanto fica bem distante dos valores que se atingem na República Checa e Eslováquia, de 80.5 e 87% respectivamente.

No lado oposto, apenas a Bélgica e Luxemburgo se situam nos 10%, países que se poderiam usar como exemplo de que o voto obrigatório seria a solução para a abstenção - se não se tivesse os exemplos da Grécia e Chipre, onde mesmo com votos obrigatórios a abstenção atingiu os 42.6 e 57.6% (parece que nem a obrigatoriedade quer dizer muito nestes países...)

Penso que mais que tornar o voto obrigatório, uma forma bem mais fácil (mas não simples) de fazer com que a abstenção se reduzisse drasticamente seria recorrer ao voto electrónico. Afinal, impingem-nos um cartão do cidadão todo "chipado" e como sendo um exemplo do futuro... mas depois nem nos deixam usá-lo para isto, recorrendo a métodos de votação "do milénio passado".

Mas para além dessas questões técnicas... o mais preocupante será talvez ver que o descontentamento actual vai dando lugar aos extremismos - com a extrema direita (e esquerda) a começar a ganhar expressão em vários países... num prenúncio de que a desintegração da Europa "unida" poderá ser uma ameaça bem mais próxima da que se gostaria de ignorar. E do outro lado, continuamos a ver uma pobre classe política que parece mais preocupada em olhar para o umbigo como se nada disto importasse, envergando menos de um terço dos votos (de menos de um terço da população!) como se fosse uma grande vitória. Talvez seja culpa da falta de matemática... mas alguém poderá dizer a estes senhores que ter o voto de 1 em cada 10 portugueses está muito longe de poder ser considerado qualquer vitória? É que enquanto tivermos políticos que parecem alheados da realidade "real", não me parece que os 65.5% que faltaram votar (e o meio milhão de votos em branco/nulos) esteja disposto a dar-lhes qualquer voto que seja, e muito menos um voto de confiança.

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