Mais um artigo futebolístico do meu caro amigo Mário Ferreira e que, clubismos à parte, foca algumas questões interessantes. Venha a polémica... que nestes assuntos já se sabe como é! :)
BENFICA
O futebol move paixões. É uma realidade! Mas é também uma realidade que move milhões... e muitos.
E o dinheiro cria privação de discernimento; Paixões que se movem por motivos externos e que perdem a razão.
Um bom exemplo é o actual caso do Benfica no Futebol português. Vejamos:
Sou Portista, mas a análise que faço aqui é fora de interesses clubistas. É uma mera opinião, que aceito ser certa ou errada desde que me apresentem os argumentos suficientes, lógicos, coerentes e desprovidos de paixões. Da mesma forma é baseada na informação geral que circula e não em dados internos de qualquer clube que tanto fazem para esconder a realidade das coisas.
O Benfica é uma grande instituição. Reconheço-o como tal, e respeito-o como tal. Espero sinceramente que se mantenha com esse estatuto durante muitos e muitos anos, pois o futebol, em particular o português, quer gostemos quer não, precisa dele.
É contudo um clube que anda há muitos anos afastado das vitórias. E não só das vitórias como também dos milhões que provas como a Champions League oferecem, e das transferências que a visibilidade ai obtida permitem. Apesar de tal é um clube que sempre investiu na sua equipa, graças a apoios diversos, reforçando-a de forma a manter a mesma competitiva.
Essa politica teve os seus custos. O clube ao longo dos anos contraiu a maior dívida do futebol português. Os números oficiais que circulam são os seguintes: Benfica 340 milhões de euros, FC Porto 148,7 milhões, e Sporting 142,8 milhões.
Por outras palavras, eventualmente os três grandes estão falidos. Mas a pior situação é sem dúvida a do Benfica, que ao longo do tempo, tal como outros, tem vindo a desenvolver engenharias financeiras que permitem descer o passivo à custa da reavaliação de activos com valores irrealistas. Isto não é uma critica, mas é uma constatação da realidade dos factos.
A verdade é que foi palavra corrente na época passada que, dado o investimento super avultado do Benfica na equipa de Futebol, o clube teria de decretar falência caso não conseguisse resultados ou receitas no final da época.
Conseguiu-o, à custa da vitória no campeonato nacional, com um mérito que, apesar de todas as polémicas, acho indiscutível.
E graças a isso conseguiu garantir encaixes financeiros com a entrada na Champions e a venda de dois jogadores.
A questão é que o Benfica precisava de mais. As suas dívidas são elevadas, e precisava de vender mais. O clube possuiu na época transacta uma oportunidade de ouro de descer o seu passivo para valores que o tornariam competitivo para a década que se avizinha. No entanto optou por não o fazer preferindo tentar manter uma equipa base que, pelo que se via, era uma máquina de triturar.
Este foi um erro que poderá ter saído muito caro ao clube.
Com o início da presente época o Benfica tem vindo a demonstrar que a equipa está longe do potencial do ano passado. Perdeu jogadores importantes e não conseguiu, com as novas aquisições que, até ao momento, se tem revelado bastante inferiores e perfeitamente banais, colmatar as lacunas criadas.
Mais ainda, o Benfica experimenta agora uma apatia à qual não estava acostumado. Os seus jogadores principais, à semelhança do que aconteceu com Bruno Alves e Raul Meireles na época passada, estão com a cabeça nos grandes clubes europeus e nos salários milionários que podem vir a receber, transmitindo-se isso em um sub-rendimento notório.
Por outras palavras o Benfica não é o que era. A máquina de triturar deu lugar a uma equipa apática onde apenas alguns dos seus jogadores sobressaem e lutam contra a corrente. O futebol dominador já era, e os adversários apercebendo-se de tal deixaram de recear o Benfica lançando-se no ataque.
Mas pior ainda. Devido a receitas adiantadas que o Benfica teve necessidade de fazer, os valores obtidos com os jogadores vendidos não foram receitas reais. Apenas parte do valor de venda foi para o Benfica, indo o resto para o fundo de jogadores. Independentemente de tal, foram receitas, mas receitas que foram abafadas pelas despesas feitas no investimento furado que foi feito este ano para a equipa, onde só num guarda-redes de qualidade duvidosa foram gastos 8.5 milhões de euros (quem não se lembra do seu monumental frango no Dragão quando da visita do Atlético de Madrid para a Champions?).
Como consequência deste adiar de receitas causado por uma cegueira de vitória que levava a acreditar num domínio do futebol por longos anos, o Benfica vê-se agora apertado. Há dívidas, as receitas não foram feitas, a equipa decaiu, as futuras vendas estão comprometidas, e não fora a angústia criada ao se verem apertados pelos credores e os valores das suas dívidas, haveria a clareza de raciocínio de pensar que ainda só se passaram 4 jornadas e que ainda é muito cedo para tal. Mas com a realidade dos factos o Benfica entrou em desespero, e sem saber o que fazer emite comunicados como os que ontem tivemos conhecimento, numa tentativa de tapar o sol com uma peneira e coagir as arbitragens.
Haverá quem, face aos novos regulamentos da coação, tenha coragem para agir?
RUI SANTOS (Programa Tempo Extra)
Os programas desportivos são cada vez mais abundantes nas nossas televisões. E nele aparecem os incontornáveis comentadores desportivos.
Mas há comentadores e comentadores. Há aqueles que se limitam a dar uma opinião, conscientes que é a sua, é para si a mais válida, mas na realidade é apenas mais uma opinião e que, como todas, tem outras divergentes.
E depois há o RUI SANTOS.
O Rui Santos é o senhor razão por excelência. Não percebe de nada, ninguém lhe reconhece verdadeira competência em nada, não tem qualquer formação no domínio do futebol ou jurídica, mas acha-se um predestinado, um possuidor da razão suprema e de um desígnio divino, e alguém que pode comentar, criticar e avaliar as prestações dos outros.
E até podia ter só estes defeitos, não fosse igualmente ele um “copião” ao imitar absolutamente tudo o que o Marcelo Rebelo de Sousa faz no seu programa.
Pergunto: mas quem é este senhor que analisa, comenta, e avalia árbitros? Que formação possui ele no domínio da arbitragem?
Alguém gostaria que, na sua profissão fosse avaliado por um terceiro sem formação na área?
A situação criada por ele de avaliação dos árbitros é pura e simplesmente ridícula. Este senhor, senta-se no seu sofá de comando na mão, avança, recua, reproduz mais rápido ou mais rápido e pausa as imagens, e avalia a actuação do árbitro. E mais ainda, naquelas jogadas dúbias que nem com o auxilio das câmaras se consegue avaliar, ele não se abstêm de julgar e emite uma opinião e baseada nela, faz a avaliação ao árbitro.
Com que direito, e com que competências? Que formação jurídica ou desportiva possui este senhor para além de já mandar “bitaites” à uns anos e ter escrito umas coisas nuns jornais?
Depois vem com a treta do
campeonato real, onde segundo as opiniões por ele tomadas, põem e retira pontos aos clubes dizendo que se não fosse isto ou aquilo só teria estes pontos. E a esse ele chama-o de “Liga Real”!
O real é o fictício e o fictício é o real.
Se realmente este senhor pensa assim porque raio lhe dão emprego as televisões? Será que gostam da polémica? Será que as audiências já contam mais do que a credibilidade e o bom nome? Depois no futuro não se queixem se as audiências de hoje custarem a credibilidade amanhã!
Alimentar as polémicas com situações deste género é algo que devia ser severamente punido. Depois há violência nos estádios, há apedrejamentos e as televisões dizem que não é nada com elas. Mas aceitam que os seus comentadores possuam uma avalização fictícia, feita de forma arbitrárias e baseada apenas na opinião de uma pessoa, a que chamam de “Liga Real”.
E pior, o homem não se cala com as
tecnologias no futebol. Mas que tecnologias? Há pequenas coisas que poderiam efectivamente ser feitas, mas no fundo tudo ficaria igual. Ou alguém acredita que o arbitro vai parar o jogo para ver imagens? Talvez no “telebol” ou outro desporto com outro nome e semelhante ao futebol e com regras que permitam a paragem do jogo, mas não no futebol regulado pela FIFA.
Vejamos o caso do jogo Guimarães x Benfica referido pelo Rui Santos em que o Benfica afirma ter sido prejudicado em 2 penalties e 2 fora de jogo mal tirados, e onde ele afirma que as tecnologias teriam sido uma ajuda preciosa.
Se é minha opinião que os dois fora de jogo foram efectivamente fora de jogo e que dos 2 penalties eventualmente só um é que será, até vou dar de bandeja a ideia que o Benfica foi prejudicado nos quatro lances.
Seja como for, de um fora de jogo mal assinalado não se podem tirar conclusões quanto ao que dai sairia. Se dai há golo ou se a bola irá sequer à baliza são coisas que nunca se saberão (No caso da jogada do Cardozo, o árbitro apita antes dele rematar e tal é notório mesmo em imagens sem som, basta ver o defesa do Guimarães que deixa de correr mal ouve o apito e isso antes do Cardoso rematar).
Em caso de erro do árbitro num fora de jogo não há nunca hipótese de repor a jogada como ela estava, com tecnologias ou não!
E os penalties dividem as análises. Mesmo a Benfica TV afirma que, o único penalti que eu creio existir, não foi. E se os próprios benfiquistas o dizem, como ter consenso? Se nós ao vermos as imagens não conseguimos concordar, de que adiantaria ao arbitro ver as mesmas?
A realidade é só uma. Se o Benfica tivesse espetado lá 8 como fazia na época passada de nada adiantava ao árbitro parar 4 jogadas. Mesmo que essas 4 fossem para golo, ainda entravam 4 bolas, e teriam de haver 8 erros para os anular todos. Mas o Benfica não consegue marcar, e perde. E convenhamos, estas queixas só aparecem nas equipas que perdem. Quando o Benfica ganhava o ano passado e era beneficiado nas arbitragens alguém se queixava do lado do Benfica? "Não comento arbitragens", era o que se ouvia.
A conclusão que chego é que, apesar dos erros das arbitragens, as tecnologias só são realmente precisas para quem perde. Quem ganha não precisa delas! E a FIFA sabendo disso, manda o Sr Rui Santos apanhar urtigas, coisa que todos devíamos fazer.
Artigo de Mário Ferreira.