Neste momento, as palavras Papa, Impostos e Futebol serão as três palavras mais repetidas em Portugal - não necessariamente por esta ordem.
Futebol

Se bem que, quanto ao Futebol, embora o Benfica ter ganho o campeonato ainda vá render matéria para encher os jornais durante muito e longo tempo - as armas estão já apontadas para o Mundial. Isso aí é que vai ser... a não ser que venhamos logo corridos e ficando o assunto arrumado logo no início.
Papa

Quanto ao Papa... nem sei bem o que dizer. Por todo o lado é uma invasão Papal que me faz interrogar sobre o que esperam as pessoas da religião (no geral)? Se o objectivo é vender bandeirinhas e posters, como os que vejo afixados por todo o lado, só me interrogo se, tal como as bandeiras de Scolari, também estas irão ficar esquecidas nas varandas até que o Sol e a chuva as faça perder a cor.
Mas nisto das religiões, há que imperar o respeito mútuo... e portanto... nada contra - e até ajuda a promover o nome do nosso país... digo eu.
E eis que chegamos à parte que afecta igualmente (ou mais) muitos portugueses...
os impostos!
Os Impostos

Com ou sem culpa do SLB e/ou do Papa, o que é certo é que as
afirmações de que os impostos não subiam eram afinal... talvez... assim algo mais para o
não tão afirmativo. Ou melhor dizendo, eram afirmações em
politiquês - aquela língua que permanece indecifrável para o povo, e que nem o Google Translate alguma vez poderá esperar conseguir traduzir!
É que, com afirmações daquele tipo, tudo se pode dizer: Sim! Não! Não! Sim! Com certeza! Absolutamente!
Porque no dia seguinte o
Sim queria obviamente dizer que
Não, e o
Absolutamente era afinal um
não necessariamente...
O que é certo é que
subiram os impostos: é IRS, é IVA, é tudo a eito, e alguns vão ver os seus ordenados cortados em 5%, enquanto alguns grandes grupos terão que contribuir com mais 2,5%.
Ora... sejamos realistas... na prática isto não terá grande influência na forma como as pessoas vivem o seu dia a dia... Restando-nos "rezar" para que este esforço complementar (em cima do esforço que tem vindo a ser feito desde... sempre?) realmente produza os efeitos pretendidos.
Se tem que ser, então que seja... Mas a questão que coloco é... E quando estas medidas "extra-ordinárias" forem desnecessárias? Não será que novamente se aproveitará a redução do IVA para se manter os preços inalterados - tal como já sucedeu anteriormente? Não sei... nem sei sequer se essa data alguma vez chegará, ou se por cá estaremos para reclamar sobre ela...
É que... considerando tudo o que tem vindo a ser feito, roubado, e esmifrado no nosso País.
Exemplos?
Que tal fazermos umas SCUTs para o "povinho" poder andar mais depressa de um lado para o outro?
-Ó pá, mas nalguns sítios já temos Auto-Estradas.
Não faz mal, fazemos uma estrada paralela, mesmo ao lado - mas que vai ser de borla! Vai ser um um sucesso!
-Mas isso vai obrigar a construir por cima das nacionais que já lá estavam...
Que importa, o povo vai adorar, vai ser sempre a andar!
uns anos depois...
Eh lá, afinal vamos ter que por isto a pagar...
- Mas, então vamos ficar com duas auto-estradas, lado a lado, ambas a pagar?
Ah, quem não quiser tem as alternativas!
- Quais? As que ficaram "debaixo" dos troços das SCUTs e agora reduzidas a troços desconexos esburacados e por onde não passa um camião?
Isto com o chip é que vai ser! Portugal à frente da Europa no avanço tecnológico!
- E aquela questão do IVA sobre o ISV, que andamos a chular há anos e que agora, graças a uma queixa de um qualquer português idiota, o Tribunal Europeu nos mandou acabar com isso?
E vamos acabar! E vamos acabar!... Assim que arranjarmos outro imposto que nos permita ir buscar o mesmo dinheiro; mas enquanto isso, deixa-os continuar a pagar, e já agora... aumenta o ISV enquanto ninguém está a olhar.

... e a mesma coisa para TGVs que vão ter que
parar em todas as estações e apeadeiros, quando para a dimensão do nosso país, uma rede ferroviária moderna seria mais que suficiente, com apenas um ponto de ligação "TGV" para fora do país... (Ainda espero que um especialista me explique as razões para a existência de um TGV que tenha que parar de 150 em 150Km. E expliquem-me lá quantos passageiros irão pagar centenas de euros para fazer Lisboa-Madrid por TGV, quando o conseguem fazer por muito menos num vôo low-cost!)
Ou aeroportos, que nos fazem crer ser necessários por causa do aumento do tráfego... enquanto os aeroportos que temos fecham à noite... e passam horas em desuso.
Não sou nada contra o progresso e a inovação tecnológica... mas o que é válido para uns países, com áreas quatro ou mais vezes superiores à nossa e realidades distintas,
não são justificação suficiente para que o que seja bom para eles seja bom para nós.
Falam-se de milhares de milhões de euros como se nada fosse, quebram-se contratos com total desrespeito - vem-me à memória ter colocado algum dinheiro numa conta qualquer que oferecia benefícios fiscais desde que lá se deixasse o dinheiro 7 ou 8 anos... e que logo no ano seguinte, afinal, deixou de ter benefícios... mas com o dinheiro a ter que lá ficar encravado na mesma; já para não falar nas pessoas que iniciaram um trabalho onde supostamente trabalhariam até X idade, e tendo direito a Y de reforma; mas que depois... ah, afinal trabalhem mais uns anitos, e já agora, desculpem lá (se bem que nem pedem desculpa!) afinal vão receber menos do que pensavam.
Mas afinal que credibilidade pode um país ter, quando o próprio Governo faz com que o prometido não seja devido?
Injustiças? Haverá muitas... Mas até a justiça em Portugal funciona mal, e não parece haver qualquer interesse para que funcione bem.
Desde "cá de baixo", de gente que não quer trabalhar mas recebe subsídios disto e daquilo, até ao "topo", com os gestores a receberem milhões de prémio mesmo com resultados estupidamente negativos - e enquanto o resto do país já se contenta em que não lhe subam os impostos (quanto mais falar em aumentos reais!)

Casos importantes? Muito se fala, mas pouco se vê! É submarinos, é universidades que fecham quando a coisa começa a aquecer, são Freeports, são escutas que não interessa escutar, etc. etc... A única constante por trás de tudo isto?...
A Ganância!
Desde o subsídio-dependente, que fica todo feliz por andar a biscatar enquanto consegue ao mesmo tempo receber um subsídio de desemprego acrescido doutro de reinserção social, até ao gestor/ministro/presidente que de uma das suas herdades de milhões de euros não consegue parar de sonhar com o esquema que lhe permitirá encaixar mais uns milhões de um dia para o outro, anda tudo atrás do mesmo: de ser mais "esperto" que o vizinho/amigo/sócio.
Pelo menos, parece-me que nalguns aspectos começamos finalmente a virar-nos para a
responsabilização de cada um. O que só me faz questionar, porque motivo isso não o é desde sempre!?! O "ah, isso não é comigo" tem que acabar. Se está ali um nome, essa pessoa tem que assumir todas as responsabilidades daí decorrentes - para o bem e para o mal.
Portugal
Custaria assim tanto olhar para o país como sendo o nosso país?
Custaria assim tanto ter alguma moderação para se saber quando se tem a "barriga cheia" e se cumprir com os deveres cívicos - assim como quem nos governa (esses com a agravante de que estão num cargo onde acima de tudo deveriam olhar pelos
nossos interesses e não pelos
deles!)
Não há
ninguém que possa mudar tudo o que é preciso mudar... Ou melhor dizendo:
só há uma forma de se mudar o que é preciso mudar!
Como? É simples...
mudem a forma como olham para Portugal, o meu, nosso, vosso País!
Sintam-se indignados se virem alguém deitar um papel para o chão, e repeitosamente façam ouvir a vossa indignação. Demonstrem o vosso desagrado sempre que alguém vos perguntar "quer factura?" - que até parece ser "opcional" em tantos estabelecimentos comerciais...
Respeitem as pessoas, mas exijam ser tratados com igual respeito. E passem esses valores a todos os que puderem, familiares e amigos...
Fico doente com os pais que despacham os filhos para a escola, passando semáforos vermelhos enquanto buzinam para que os outros saiam da frente (como se o tempo deles fosse mais importante que os outros) e e que vão falando ao telemóvel enquanto conduzem... Ricos exemplos que começam a dar desde cedo...
Respeito, civismo... e responsabilidade. Três simples coisinhas que são a única "salvação" de um País descrente, não só no Papa (que não faz milagres - quando muito é ele que nos visita em busca de um) mas também em toda uma classe política reduzida ao absurdo, que esgrima acusações na Assembleia sem nada fazer de concreto para melhorar o País que temos.
Por um Portugal melhor, só cada um de nós pode (e deve) fazer a diferença!